Tripé macroeconômico: o que é e como é formado

Conceito criado há duas décadas, tripé macroeconômico dá sustentação à economia brasileira. Saiba como funciona e seus impactos

O tripé macroeconômico é uma política de gestão da economia presente nos principais países desenvolvidos em todo o mundo.

Adotando como base o câmbio flutuante, a meta de inflação e a meta fiscal, suas diretrizes têm como função tornar a economia saudável e atrativa para credores externos.

O tripé foi implantado no Brasil em 1999 e, até os dias de hoje, tem forte impacto na economia – inclusive, sobre seus investimentos. 

Saiba como isso acontece, acompanhando por aqui.

O que é o tripé macroeconômico?

O tripé macroeconômico é uma política econômica que se baseia em câmbio flutuante, meta de inflação e fiscal.

Assim, ele estabelece que as negociações entre moedas devem ser feitas pela lei da oferta e da demanda.

Além disso, considera que a inflação precisa ter uma meta e que o governo deve trabalhar para alcançar o valor fixado por ela.

Por fim, o tripé macroeconômico determina que as contas governamentais devem apresentar resultado positivo e, assim, gerar segurança aos credores.

Todas essas informações ficam mais claras quando as entendemos no contexto da história econômica do Brasil. 

É o que vamos abordar agora.

Histórico do tripé macroeconômico

A história do tripé econômico começa muito antes de o conceito ser aplicado aqui.

No início dos anos 80, com o fim da ditadura militar e as primeiras eleições diretas, o Brasil enfrentou um longo período de instabilidade na economia.

A hiperinflação foi um dos sinais claros dela.

Tanto foi assim que somente após a implantação do Plano Real, no governo do presidente Fernando Henrique Cardoso, na década de 90, é que a situação das contas brasileiras passou a melhorar.

Mas o avanço seguiu em ritmo lento.

Um dos problemas enfrentados à época na economia do país foi a sobrevalorização do real, então causada pela estratégia de câmbio fixo. 

A partir dessa condição, a moeda brasileira era mantida a um valor fixo em relação a outras.

O efeito disso era a desconfiança dos investidores, além de o cenário demandar frequentes intervenções do governo.

No fim das contas, o resultado apontava para saldos negativos no balanço de pagamentos. Ou seja, entraram mais produtos, serviços e capitais no Brasil do que saíram daqui.

O câmbio fixo estava diretamente atrelado à confiança que o país tinha perante os credores, já que influenciava a balança de pagamentos.

Especialmente após crises econômicas em outras economias que praticavam a mesma política – como México, Argentina e Rússia -, o Brasil alterou sua maneira de conduzir a macroeconomia.

A partir de 1999, Armínio de Fraga, então presidente do Banco Central, definiu que o tripé macroeconômico seria a nova política econômica brasileira.

Através dela, a taxa de câmbio seria flutuante e passaria a impactar a balança de pagamentos. 

Já a taxa de juros seria responsável pelo bom funcionamento da taxa de inflação. 

Por fim, a política fiscal seria importante para a imagem do Brasil perante seus credores.

Para entender melhor, veja na sequência como cada um dos componentes do tripé macroeconômico funciona.

Componentes do tripé macroeconômico

Sem uma boa política econômica, não há país que consiga crescer e se desenvolver. 

Para o Brasil, o tripé macroeconômico, implantado há cerca de 20 anos, teve importância fundamental para resolver seus graves problemas econômicos e colocar o país na rota do crescimento.

Confira detalhes sobre o câmbio flutuante, meta de inflação e fiscal, os três componentes do  tripé macroeconômico.

 

Câmbio Flutuante

O câmbio flutuante determina que o preço de uma moeda em relação a outra deve respeitar a lei de demanda e oferta. 

Isto é, não deve haver qualquer intervenção do Estado no estabelecimento do seu preço. 

A cotação do dólar que vemos diariamente, por exemplo, é resultado da política de câmbio flutuante.

 

Meta de Inflação

O outro pé da macroeconomia atual é definido pelo Comitê de Política Monetária (Copom). 

Nele, um grupo de especialistas se reúne periodicamente para definir qual será a taxa básica de juros (Taxa Selic) e a meta de inflação. 

 

Meta Fiscal

Por fim, o tripé macroeconômico estabelece que as contas públicas devem alcançar superávit. 

Ou seja, as receitas governamentais precisam ser maiores do que suas despesas. 

Isso confere credibilidade junto aos credores sobre o pagamento dos títulos da dívida pública.

Nos últimos anos, no entanto, o Brasil conseguiu estabelecer apenas limites de déficit.

Como o tripé macroeconômico impacta suas finanças

Antes de tudo, qualquer política econômica acaba refletindo no nosso dia a dia, seja nas grandes operações financeiras, seja na compra do cafezinho de cada dia.

Mas, especificamente nos investimentos, o tripé macroeconômico é muito relevante. 

A especulação com a compra e venda de dólares, por exemplo, é fortemente afetada pela política de câmbio flutuante. 

Sem ela, a alteração do valor da moeda americana em relação à brasileira seria inexistente ou de baixíssima atratividade.

Além disso, a Taxa Selic é o indexador econômico de diversos investimentos, como poupança e títulos públicos.

Por fim, a política fiscal do governo indica aos investidores de renda fixa que eles podem comprar papéis da dívida pública com segurança.

Assim, é importante conhecer o conceito e o histórico do tripé macroeconômico mas, principalmente, seus reflexos na economia brasileira dos dias de hoje.

No blog da Capital Research trazemos todas essas informações atualizadas e de fácil entendimento. 

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Obrigado pela leitura!

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