Expurgo inflacionário: o que é e história no Brasil

O expurgo inflacionário teve episódios marcantes e grandes perdas financeiras na história do Brasil. Entenda esse fenômeno.

O expurgo inflacionário é um fenômeno típico dos períodos de instabilidade que gera grandes perdas financeiras para a população. Quando ele ocorre, as aplicações em contas bancárias e outros produtos financeiros não são atualizadas pelo índice da inflação ou são corrigidas com base em um percentual inferior. 

No Brasil, os planos econômicos que tentavam conter a hiperinflação nos anos 1980 e início de 1990 foram os principais causadores do problema. Hoje, restam as ações judiciais que tentam reaver uma parte do dinheiro que deixou de ser repassado aos consumidores. 

Por isso, é importante entender o que é expurgo inflacionário, suas causas e consequências na história do país. Siga a leitura e amplie seu conhecimento sobre política e economia.

O que é expurgo inflacionário

Expurgo inflacionário é a não aplicação — ou aplicação incorreta — dos índices de inflação apurados em determinado período. Ou seja: é a ausência da correção monetária pela variação da inflação.

Quando ocorre esse erro, os valores não são atualizados e o correntista ou investidor perde poder de compra, saindo extremamente prejudicado. Para caracterizar um expurgo inflacionário, os valores podem simplesmente não ser corrigidos ou mesmo ser corrigidos com uma porcentagem inferior ao índice de inflação apurado. 

No Brasil, houve alguns episódios marcantes de expurgos inflacionários, como o do Plano Verão e Plano Collor. Até hoje, tramitam ações judiciais para recuperar parte dos valores não repassados na caderneta de poupança.

Causas de expurgo inflacionário

Há várias causas possíveis para o expurgo inflacionário, relacionadas principalmente às mudanças econômicas e monetárias do país. 

Confira algumas das principais. 

Alteração do plano econômico

A principal causa do expurgo inflacionário é a alteração do plano econômico do país. Na história do Brasil, o governo interferiu com frequência e realizou algumas mudanças drásticas e repentinas nas políticas econômica e monetária.

Essas mudanças afetam taxas de juros, cotação da moeda, controle de câmbio, tarifas, preços e também podem levar ao expurgo inflacionário, como ocorreu diversas vezes no Brasil.

Troca de indexador

Em alguns casos, o expurgo inflacionário ocorre quando outro indexador é utilizado para corrigir os valores aplicados, em vez do índice de inflação. No Plano Bresser, por exemplo, o LBC foi usado de forma equivocada para corrigir as contas poupanças, e seu valor era inferior ao da inflação apurada no período. 

Medidas provisórias

As medidas provisórias para a estabilização econômica também podem causar o expurgo inflacionário. Foi o caso do Plano Verão, em que a MP 32/1989 instituiu regras de desindexação da economia e congelamento de preços.

Expurgo inflacionário no Brasil

O expurgo inflacionário não é novidade na história brasileira, embora as chances de acontecer novamente sejam remotas.

Conheças os episódios mais importantes. 

Plano Bresser (junho de 1987)

O Plano Bresser foi um plano de estabilização da economia brasileira lançado em junho de 1987 pelo Ministro da Fazenda Luiz Carlos Bresser-Pereira, durante o governo de José Sarney. Sua principal medida era o congelamento de preços, salários e câmbio por 90 dias, com a expectativa de conter as importações que atrapalhavam o Plano Cruzado.

O expurgo inflacionário se deu quando as instituições financeiras aplicaram equivocadamente o LBC (18,024% na época) como índice de remuneração das contas poupanças, sendo que o índice correto era o IPC (26,06% no mesmo período). Com isso, os poupadores perderam 8,04% de sua rentabilidade.  

Plano Verão (janeiro de 1989)

O Plano Verão foi instituído em janeiro de 1989 pelo presidente José Sarney, com medidas de aumento de juros, redução de gastos públicos, congelamento de preços, subindexação de contratos financeiros e introdução de uma nova moeda (cruzado novo). 

Assim como o Plano Bresser, o pacote mudou o índice da caderneta de poupança e passou a aplicar o rendimento da LFT (22,35% na época) em vez de corrigir pelo IPC (42,72% no mesmo período). Logo, as perdas dos poupadores chegaram a 20,37%

Plano Collor (1990/1991)

O Plano Collor, instituído pelo presidente Fernando Collor de Mello em 1990, combinava a liberação fiscal com medidas radicais para controlar a inflação. Durante o plano, as contas vinculadas do FGTS não foram atualizadas, mesmo com a inflação batendo os 44,8% em abril de 1990. 

Assim, quem saiu perdendo foram os trabalhadores, que viram seu fundo de garantia desidratar no período — sem falar no confisco da poupança.  

Hoje, com a estabilização da economia, o expurgo inflacionário deixou de ser uma ameaça. Mas é uma boa lição sobre a importância de superar o índice de inflação (atualmente, o IPCA) nos seus investimentos, tendo assim um retorno real. 

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