Copom: Veja os temas da última reunião e como eles impactam seus investimentos

Com Selic em baixa é preciso uma mudança na forma de investir para continuar tendo ganhos

No dia 29 de outubro aconteceu a última reunião do Copom – Comitê de Política Monetária do Banco Central. Agora, a próxima será nos dias 10 e 11 de dezembro  e deve seguir a mesma linha das anteriores.

Desde final de julho o Copom já vinha realizando cortes na selic, que em setembro chegou a 5,5% ao ano e agora em outubro bateu sua menor cotação em décadas, ao estar em 5% ao ano.  Ainda é esperado uma nova baixa para a próxima reunião do Copom, em dezembro, provavelmente para 4,5%. A lenta recuperação da economia gerando uma persistente baixa da inflação é um dos pontos que indica que esse cenário com juros mais baixos deve permanecer por um período longo  de alguns meses e até anos.

O consumidor ainda não sente essa queda no bolso, mas a tendência é que com o tempo os bancos passem a repassar os créditos financeiros mais baratos aos clientes, fazendo com que mais dinheiro circule pela economia.

Por outro lado, os investidores também são afetados pela taxa Selic  mais baixa. A poupança, por exemplo, uma das principais escolhas dos investidores mais conservadores, é atrelada à taxa Selic e passa a render menos.

Desde maio de 2012, a Selic influencia a remuneração da poupança. Os depósitos são remunerados pela taxa referencial mais 0,5% ao mês. Quando a Selic está igual ou abaixo de 8,5% ao ano, a remuneração passa a ser de 70% da Selic mais a taxa referencial. 

O que significa que no momento os investidores de caderneta de poupança estão vendo o seu dinheiro ser no máximo corrigido de acordo com a inflação, ao invés de realmente crescer.

 

Por que reduzir a taxa básica de juros?

A função do Copom é equilibrar a balança entre demanda e preços, juros e inflação. Assim, a reunião do Copom pode optar por reduzir a Selic para aquecer o mercado e estimular a economia com juros mais baixos ou aumentar a taxa Selic para conter a inflação quando a economia está com grande procura e eventual aumento dos preços dos serviços e produtos.

A decisão de reduzir novamente a Selic se deu em meio à fraqueza da economia e aos índices controlados de inflação. No comunicado sobre a decisão, o Banco Central avaliou que o cenário externo, apesar de incerto, está favorável para países emergentes , por isso foi feito mais um corte na taxa básica de juros. Uma vez que estão seguros de que os preços estão sob controle e não correm o risco de ficar acima da meta da inflação .

O contrário seria necessário em caso de conter a inflação, se esse fosse o cenário, provavelmente a reunião do Copom escolheria elevar os juros para estimular a poupança, diminuir a quantidade de dinheiro circulando e a demanda.

 

Como ficam os investimentos?

Com a Selic tão baixa são necessárias algumas mudanças nos investimentos.

Com um histórico de juros altos, o brasileiro está acostumado a fazer investimentos mais conservadores e rentistas, no entanto, segundo a planejadora financeira Myrian Lund, diante deste cenário os investidores devem se atentar a alguns detalhes. 

As modalidades de investimento isentas de risco estão com uma rentabilidade muito baixa, de forma que quando descontada a inflação, esse percentual de rendimento é de praticamente zero.

Então, uma dica para quem tem fundo de renda fixa, por exemplo, é reparar se ele está com taxa de administração superior a 1% ao ano, se estiver, muito provavelmente, o investidor estará perdendo dinheiro. 

O desafio do momento é sair dos investimentos conservadores e passar a estudar e investir mais em opções com mais risco, como bolsa de valores e fundo imobiliário para conseguir melhores rendimentos.

Para quem está precisando de recursos e está pensando em pegar um empréstimo, a notícia pode parecer boa, mas essa mudança ainda não chegou ao consumidor final das linhas de crédito e ainda vai demorar a chegar. Apenas algumas linhas de financiamento de menor risco, como o crédito habitacional é que tiveram pequenas alterações. 

A Caixa Econômica Federal que reduziu a 6,75% os juros para crédito imobiliário, já os cartões de crédito e cheque especial continuam com juros acima da casa das centenas.

 

O que é o Copom?

Copom é o órgão do Banco Central, formado pelo presidente e seus diretores, responsável por definir a meta para a taxa básica de juros da economia, a Selic –  Sistema Especial de Liquidação e Custódia. A Selic é a taxa que serve de referência para as demais taxas de juros e é a taxa média cobrada em negociações de títulos emitidos pelo Tesouro Nacional.

Desde 2006 a reunião do Copom acontece oito vezes por ano, aproximadamente a cada seis semanas, um intervalo de cerca de 45 dias, e cada reunião dura dois dias.  O calendário definindo quando será cada reunião do Copom do próximo ano é divulgado até o mês de junho do ano anterior.  

Dentro da reunião do Copom há reuniões de Análise de Mercado, Análise de Conjuntura e rodadas de discussões. A reunião do Copom segue um processo para embasar suas decisões da melhor forma possível. Seus membros participam de apresentações técnicas a respeito da evolução, conjuntura e perspectivas das economias brasileira e mundial analisam as possibilidades e então definem o melhor caminho a ser seguido. Todos os membros presentes na reunião do Copom votam e a decisão é divulgada no mesmo dia por meio de um comunicado na internet . Já a ata se torna pública em até seis dias úteis após a data da realização da reunião do Copom.

Depois de definida a Selic em reunião do Copom, o Banco Central passa a atuar de forma a tentar manter a taxa de juros próxima ao valor ideal estabelecido e faz isso por meio de operações de mercado aberto, comprando e vendendo títulos públicos federais.

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