Brexit: o que foi e como ele impactou o mundo

Entenda como aconteceu a saída do Reino Unido da União Europeia e quais os principais impactos desse movimento no mundo.

Brexit

Não faltaram reviravoltas, e o Brexit foi finalmente aplicado e, agora, o Reino Unido está no período de transição de saída da União Europeia.

É inegável que presenciamos nos últimos anos um evento histórico e conturbado, que teve e continuará a ter implicações na diplomacia e no mercado financeiro. Mas, como o Brexit aconteceu e quais são seus impactos na relação do Reino Unido com o restante da Europa?

Ao longo do artigo, vamos estabelecer uma linha do tempo sobre o início, meio e o estágio atual, no qual alguns acordos entre o país e a União Europeia ainda permanecerão mantidos ou lentamente deixarão de existir. Por isso, nos acompanhe pelos próximos parágrafos e entenda mais sobre o Brexit!

Brexit: o que é?

Nome dado a um movimento que clamou pela saída do Reino Unido da União Europeia. O movimento dividiu não apenas os britânicos, mas o resto do mundo.

O nome Brexit nada mais é que uma abreviação do termo British exit, que significa “saída dos britânicos” em inglês. O nome também é usado para se referir aos acontecimentos que giram em torno da saída do país.

Linha do tempo do Brexit

Como o Brexit aconteceu? Nos próximos parágrafos, vamos estabelecer uma linha do tempo com os principais acontecimentos que levaram à saída do país da União Europeia.

 

Como ele surgiu?

A primeira menção ao Brexit aconteceu em 2016, com a realização de um referendo popular que questionava aos cidadãos britânicos sobre a ideia de se desvincular da União Europeia.

De um lado, havia aqueles que eram a favor da saída do país e que integravam o Brexit, com o objetivo de fortalecê-lo ao deixar de passar recursos para a UE e impedir a entrada facilitada de imigrantes.

Do outro, aqueles que eram contra o Brexit, alegando que a permanência trazia benefícios econômicos e sociais também para os cidadãos do Reino Unido.

Outro argumento usado para justificar a saída do país era a relação superficial com a comunidade: o Reino Unido não adotou o tratado que tornou o euro a moeda oficial dos países, assim como o acordo de livre circulação de pessoas.

Ou seja, o Reino Unido continuou com a libra e manteve seus processos e barreiras de imigração em aeroportos para passageiros europeus.

O resultado do referendo foi apertado, mas favorável ao Brexit: dos 72% dos britânicos que compareceram à votação, 52% votaram pela saída do país da UE. O resultado da votação fez com que o então primeiro-ministro David Cameron renunciasse ao seu cargo, sendo substituído por Theresa May, do mesmo partido.

 

A notificação ao bloco e os dois anos de espera

No ano seguinte, a Suprema Corte britânica ordena que o Brexit passe pela aprovação do Parlamento do país. O comunicado ao bloco europeu é feito por meio de uma carta, que iniciaria dois longos anos de espera – o prazo para a saída era março de 2019.

Logo a seguir, a primeira-ministra convoca eleições no Parlamento para votação do Brexit. Porém, o seu partido perde a disputa. Por isso, precisaram criar um acordo para a Irlanda do Norte permanecer na UE.

 

Dois anos se passam…e o Brexit não acontece

Em janeiro de 2019, após muitas negociações e acordos, o Conselho Britânico aprova o Brexit. Porém, novamente o acordo não passa pelo Parlamento.

Chega março de 2019 e um acordo aprovado pelo Parlamento freou o Brexit. Ou seja, o período de transição que deveria começar a partir daquele momento até o ano de 2030 não tem início.

 

A renúncia e um novo prazo para a saída

A primeira-ministra continuou a tentar acordos com o Parlamento sem sucesso, o que resultou na sua renúncia em junho de 2019.

Novas eleições são convocadas em julho e o Partido Conservador ganha novamente o pleito. Quem assume é Boris Johnson, responsável diplomático pelo Brexit no mandato de Theresa May.

Seu plano, divulgado extensivamente em sua campanha eleitoral, era de conseguir o que seus antecessores não haviam conseguido: efetivar o Brexit até o dia 31 de outubro de 2019.

 

A nova lei que impedia o Brexit

Em uma manobra aprovada pela rainha, o premiê consegue suspender o Parlamento e votar o acordo do Brexit durante esse período, no qual não teria opositores.

Porém, os parlamentares britânicos conseguiram desmontar a movimentação e impedir que a votação acontecesse. Novamente, o Brexit era adiado para uma nova data: 31 de janeiro de 2020.

 

A jogada que assegurou o Brexit

Com o novo prazo e a chance de ver suas promessas de campanha não serem cumpridas, o primeiro-ministro faz uma jogada arriscada: convoca novas eleições para o Parlamento no fim de 2019.

No entanto, a jogada se provou certeira: o novo Parlamento britânico contou com maioria de seu partido. O resultado não poderia ser diferente: após anos de tentativa, o acordo do Brexit foi aprovado pelo novo Parlamento que se estabeleceu.

A partir desse dia, se deu início ao período de transição da saída do Reino Unido da União Europeia.

Como funciona o acordo de retirada e de transição

O primeiro efeito da saída do Reino Unido é sua retirada das instituições políticas europeias, assim como seu direito a voto no Parlamento Europeu e na Comissão Europeia. São mantidos apenas a sua contribuição ao orçamento da UE, o cumprimento de suas regras e as determinações que a Corte Europeia de Justiça definir em disputas legais.

 

Acordo de retirada

O acordo de retirada de Boris Johnson prevê os seguintes itens:

  • Retorno das fronteiras alfandegárias que separam a República da Irlanda (independente e parte da UE) e da Irlanda do Norte, parte do Reino Unido;
  • Direitos de cidadãos da UE e do Reino Unido permanecem os mesmos durante o período de transição;
  • Pagamento de multa estimado em cerca de 30 bilhões de libras à União Europeia.

 

Período de transição

Até janeiro de 2021, a União Europeia e o Reino Unido negociarão os termos de transição, incluindo a maneira como irão se relacionar no livre comércio após a saída do país.

Políticas de segurança e compartilhamento de dados, fornecimento de eletricidade e gás e regulamentação e licenciamento de medicamentos também serão outros pontos que deverão ser discutidos entre o país e o bloco. Vale considerar que o último item pode se tornar um desafio, considerando a ameaça recente do coronavírus.

As negociações podem ser prorrogadas até julho de 2021 e a falta de acordos terá como consequência a imposição de tarifas sobre as mercadorias que saem do Reino Unido em direção aos países integrantes da UE, entre outras barreiras.

Principais impactos do Brexit

O primeiro temor relacionado ao movimento de saída está nos próprios prazos de acordo mencionados acima. O primeiro-ministro já afirmou que o prazo não será prorrogado, mas seu otimismo não é compartilhado pela UE, que classifica o cronograma de transição como desafiador.

O acordo sobre as diretrizes de segurança e compartilhamento dos dados também gera preocupação, já que uma separação total poderia abrir brechas para ataques cibernéticos para todos os países europeus. Porém, com a saída, estima-se que as agências de segurança continuarão a colaborar entre si.

Por fim, também se teme novos movimentos de independência a partir dos países que pertencem ao Reino Unido, como a Escócia.

Habitantes do  país chegaram a pressionar o governo a realizar um segundo plebiscito para votar uma possível declaração de independência da Escócia em 2019. Junto à Irlanda do Norte e País de Gales, a Escócia faz parte do Reino Unido.

O motivo: o desejo de permanecer no bloco europeu.

A Irlanda do Norte, que deseja permanecer na UE, pode fazer um movimento semelhante. O país pode se unir à República da Irlanda, deixando de pertencer ao Reino Unido.

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