Valor residual: conceito e aplicações

Já ouviu falar em valor residual? Saiba o que é e como fazer para aplicar o conceito nos seus investimentos.

Saber qual é o valor residual de um bem pode ser bastante útil para empreendedores, mas o conceito também é de grande ajuda para investidores. Afinal, você pode estar interessado em investir em bens imóveis e vai precisar fazer um cálculo de depreciação. 

Até mesmo quando você for fazer um balanço para saber se o valor do seu patrimônio líquido teve aumento ou perda, além de analisar se seus investimentos estão fazendo alguma diferença.

Para isso, é importante saber como como funciona o processo de depreciação de um bem. Como isso pode levá-lo para planejar os seus investimentos? Vamos abordar alguns pontos essenciais para o entendimento da questão.

O que é valor residual?

Entende-se por valor residual como sendo o valor restante de um patrimônio após a sua depreciação completa, no final da sua vida útil, ou o tempo padrão para o seu uso. É diferente de um bem que não tem mais utilidade e precisa ser descartado, por exemplo. 

O valor residual pode não ser o fator que leva ao descarte de um bem porque raramente ele tem perda total após esse período. Por exemplo, muitos carros com mais de 20 anos ainda circulam pelas ruas. O seu tempo padrão de uso já acabou, mas ainda tem valor residual nele porque ainda há estado de conservação. 

Por essa lógica, muitos veículos têm isenção de Propriedades de Veículos Automotores (IPVA) porque quanto menor o valor residual de um bem, o seu imposto também será menor. Essa lógica também se aplica para determinar o valor do seguro de um veículo pois é baseado no seu valor de mercado. 

Depreciação do bem

Essa desvalorização está diretamente ligada à depreciação do bem, que é a previsão da perda do valor de uma determinada coisa. Essa perda pode acontecer devido a alguns fatores, como:

 

  • Uso no dia a dia: 

 

Com o uso periódico do bem, ele passa a ser mais depreciado.

 

  • Desgaste natural: 

 

Os componentes de um bem vão se desgastando ao longo do tempo, mesmo que seu uso não seja exagerado.

 

  • Obsolescência: 

 

As marcas sempre procuram atualizar modelos de um determinado produto, tornando os mais antigos obsoletos.

O cálculo de depreciação

Há algumas maneiras de descobrir qual é a depreciação de um bem em determinado momento. Existem duas formas principais de se fazer o cálculo: a  linear (em linha reta) ou a acelerada (de valor decrescente).  

No cálculo de depreciação linear, é considerado que a perda de valor do bem é de mesma proporção ao longo dos seus anos de vida útil. Já o cálculo de depreciação acelerada considera que a maior parte da depreciação acontece no primeiro ano de uso e vai caindo de proporção com o passar dos anos de vida útil. 

Na maioria dos casos, usa-se o modelo de cálculo de depreciação linear seguindo a fórmula:

VALOR RESIDUAL = VALOR INICIAL – (DEPRECIAÇÃO x TEMPO DE USO)

Para exemplificar, vamos considerar um ar-condicionado de valor inicial de R$ 3.000,00. Segundo a tabela de depreciação disponibilizada pela Receita Federal, a vida útil de um aparelho de ar-condicionado é de 10 anos e a sua taxa de depreciação é de 10% ao ano. Sabendo disso, teremos:

VALOR INICIAL = R$ 3.000,00

TAXA DE DEPRECIAÇÃO ANUAL = 10%

VALOR DEPRECIADO POR ANO = 3000 x 10% = R$ 300,00

VALOR DEPRECIADO AO MÊS = 300/12 meses = R$ 25,00

Como é possível aplicar o conceito nos investimentos?

À primeira vista você pode pensar em inúmeras aplicações ao fazer o cálculo do valor residual na realidade de empresários, mas chega a pergunta: é possível aproveitar o conceito no âmbito dos investimentos? E a resposta é positiva. Sim, é possível saber como o valor residual pode implicar na suas decisões sobre alguns investimentos. 

Nos investimentos em bens imóveis

Uma das variáveis mais importantes que o investidor precisa prestar atenção ao investir em um imóvel é a sua depreciação. Ela é essencial para saber se o seu imóvel pode sofrer uma flutuação de valor. Além do uso no dia a dia, desgaste natural e obsolescência, também podemos contar com outros fatores como:

  • Passagem do tempo;
  • Mudanças no entorno do imóvel;
  • Manutenção;
  • Valorização da localização;
  • Valorização do imóvel.
  • Tipo de imóvel (residenciais não sofrem a mesma depreciação que industriais, por exemplo);
  • Ações da natureza (tempestades, enchentes, incêndios, etc.). 

É importante frisar que no cálculo de depreciação de um imóvel não é considerado o terreno em que ele fica. Também é bom saber que os imóveis que ainda não foram vendidos e estão em “estoque” ainda não sofrem depreciação.

Além disso, a Receita Federal estabelece que a taxa de depreciação de, por exemplo, um edifício, seja de 4% ao ano e sua vida útil estimada em 25 anos. Na prática, sabemos que um edifício não fica em desuso após esse tempo, mas é importante ter noção disso no ponto de vista fiscal para saber se vale a pena comprar ou até mesmo manter um imóvel. 

Nos investimentos em ações

Aplicar as noções de valor residual para analisar uma empresa pode ser interessante para decidir sobre quais ações um investidor pode adquirir ou vender, afinal, essas informações estão diretamente ligadas à saúde financeira de uma companhia. Com esse conhecimento, você tem melhor noção sobre a venda de outros títulos para que haja recurso em um novo investimento, por exemplo.

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