Come-cotas: entenda melhor o que é e qual investidor pode afetar

Saiba como come-cotas age, quais alíquotas, como funciona a tabela regressiva e muito mais

Come-cotas é a antecipação ao recolhimento do Imposto de Renda em determinados fundos de curto ou longo prazo. Leva este nome pois deduz cotas dos investidores em alíquotas que variam de 15% a 20%, percentuais mínimos sobre o fundo de longo e curto prazo, respectivamente.

Mas como o come-cotas funciona? Quais fundos estão isentos e sujeitos desse imposto? Como funciona a tabela regressiva? Confira tudo sobre o come-cotas neste artigo. 

O que esse imposto faz e porque ele existe?

O come-cotas é fundamental para o investidor que investe ou pretende investir em fundos de investimentos, pois ele precisa compreender de que forma ele será tributado ao investir em um fundo que tem incidência desse imposto. Tendo este conhecimento prévio, as chances de tomar uma decisão mais assertiva sobre seus investimentos e calcular todos os custos envolvidos em cada aplicação consequentemente serão maiores. 

Além disso, o investidor precisa atentar-se ao regulamento do fundo de seu interesse antes de realizar aportes. Entender o funcionamento e o tipo de fundo que vai investir, pode lhe fornecer informações preciosas sobre como será a tributação. 

 Quais as alíquotas do come-cotas?

Em relação aos fundos de curto prazo, a incidência do come-cotas varia de 20% a 22,5%. Já tratando-se de fundos de longo prazo, a variação é entre 15% a 22,5%. Porém, automaticamente a cada seis meses – fim de maio e fim de novembro – ocorre uma redução no número de cotas que equivale ao percentual do Imposto de Renda cobrado sobre os rendimentos.

O cálculo da diferença entre os valores antecipados pelo come-cotas e o Imposto de Renda devido é feito na hora do resgate da aplicação pelo investidor. É essencial ressaltar ainda, que o come-cotas incide somente sobre o rendimento no período e não sobre o total investido no fundo.

Como funciona a tabela regressiva desse imposto e como calcular qual valor será cobrado dos fundos?

Como já mencionado, o come-cotas é uma cobrança antecipada do imposto devido sobre os rendimentos. Desta forma, a incidência do IR para a maior parte dos fundos segue uma tabela regressiva na qual os valores variam conforme o tempo de aplicação: 

 

  • Fundos de Curto Prazo

 

22,5% em aplicações que permanecem por até 180 dias

20,0% em aplicações que permanecem 181 dias ou mais.

 

  • Fundos de Longo Prazo

 

22,5% em aplicações que permanecem por até 180 dias

20,0% em aplicações que permanecem de 181 dias a 360 dias

17,5% em aplicações que permanecem de 361 dias a 720 dias

15,0% em aplicações que permanecem por 721 dias ou mais.

Na hora do resgate é realizado o cálculo da diferença entre valor antecipado pelo come-cotas e a alíquota do Imposto de Renda em que o investimento se enquadra, conforme a classificação. Para fazer o cálculo e saber a devida projeção de valorização do dinheiro, o investidor precisa saber em qual tipo de fundo está querendo investir, se é de um de longo ou curto prazo.

Quais fundos estão isentos desse imposto?

Existem fundos que estão isentos da incidência do come-cotas e cobram apenas o resgate do Imposto de Renda, como é o caso dos fundos de ações, fundos de debêntures incentivadas e os fundos de previdência. 

Em relação às ações, 15% do Imposto de Renda é cobrado apenas no resgate do investimento, não oferecendo a possibilidade de recolhimento mensal de imposto como funciona nas operações no mercado à vista na Bolsa de Valores.

Quais fundos estão sujeitos à esse imposto?

Por outro lado, boa parte dos fundos de investimento de curto e longo prazo do mercado brasileiro estão sujeitos ao come-cotas, entre eles: fundos de renda fixa, DI, cambiais e multimercados. 

Qual a diferença de um investimento sem e com come-cotas?

Muitos investidores têm dúvidas sobre realizar um investimento com ou sem come-cotas. Ambos tem vantagens e desvantagens, mas se um investimento com come-cotas, como por exemplo um fundo de renda fixa, e outro sem come-cotas, como é o caso do ativo de renda fixa, tiverem a mesma rentabilidade no longo prazo, qual é melhor? 

A resposta é que o investimento sem come-cotas será mais rentável, porém, o efeito do come-cotas pode ser neutralizado caso o investidor tenha fundos com melhores rentabilidades que os ativos de renda fixa comparáveis.  

Além disso, toda vez que os ativos de renda fixa vencem, a incidência do imposto e a tabela de tributação volta a ser regressiva, retomando em 22,5%, diferente do que acontece nos fundos, que possibilitam o investidor ficar aplicando por tempo indeterminado e após dois anos do aporte, a alíquota permanece em 15%. 

Calcule todos os custos envolvidos, a rentabilidade projetada e quais são seus objetivos antes de investir, pois somente com uma análise mais profunda de cada componente destes investimentos é possível enxergar com mais clareza os prós e contra. 

Como a Receita Federal efetua esse tipo de cobrança?

A rentabilidade conquistada nos fundos de investimento está sujeita ao Imposto de Renda retido na fonte, ou seja, diariamente o administrador do fundo apura quanto foi o ganho financeiro de cada investidor e cria uma provisão de IR na sua conta.

Portanto, seu saldo pode ser apresentado de duas formas: saldo bruto (total) e saldo líquido (após desconto da provisão de IR). Quando o investidor pede um resgate, a provisão de IR vai direto para a Receita Federal.

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