Economia comportamental: o que é e o que ela diz sobre nosso dinheiro?

A economia comportamental traz elementos da psicologia para as finanças e é a arma secreta de muitos influenciadores da área financeira.

Se você ainda não entendeu o boom dos influenciadores de finanças e não sabe exatamente de onde vêm as dicas deles, vamos começar este artigo revelando o segredo: economia comportamental.

O conceito usa elementos da psicologia fundidos com os da economia para explicar como indivíduos gastam ou poupam os seus recursos.

Por que eles compram um produto em detrimento do outro? Qual emoção eles consideram na hora de decidir entre poupar e adquirir um bem de consumo? O que faz alguém enriquecer na Bolsa, enquanto outros não conseguem emplacar boas negociações no mercado financeiro?

Essas são algumas das questões que a economia comportamental explica. Por isso, confira nos próximos parágrafos a teoria por trás do conceito, como ela se relaciona com nossa capacidade de tomar decisões e qual é a sua importância nos investimentos.

Aprenda tudo o que puder sobre economia comportamental!

Economia comportamental – o que é e como funciona?

Em que você pensa quando precisa decidir ao comprar algo, seja uma das opções de carne disponíveis em um supermercado ou a ação de uma empresa que está abrindo um IPO?

Essa é um tipo de pergunta que a economia comportamental tenta responder. Indo além do pensamento consciente, ela também busca compreender o que está no subconsciente e que também interfere na tomada de decisão.

Para resolver essas questões e ajudar indivíduos a melhorarem a maneira como usam seu dinheiro, a matéria pega conceitos e teorias tanto da economia e da matemática financeira quanto da psicologia e da neurociência.

Relativamente nova, a economia comportamental tenta tornar esse processo mais realista, defendendo que existem diversos aspectos humanos – e não apenas técnicos – em uma decisão econômica. 

Como a teoria surgiu?

Existem divergências em relação ao surgimento do conceito. Alguns defendem que ele é abordado desde o século XVIII, com as teorias de Adam Smith, conhecido como o pai do liberalismo econômico.

Outros, porém, atribuem a criação do conceito a dois psicólogos no final da década de 1960, Daniel Kahneman e Amos Tversky, que usaram uma teoria chamada regressão à média, criada no século XIX pelo cientista britânico Sir Francis Galton.

Ela explica que a performance do indivíduo costuma seguir uma média, e toda vez que essa performance atinge um ponto fora da curva – seja ele positivo ou negativo –, a tendência é que o próximo seja mais aproximado da média.

Aluno dos dois psicólogos que iniciaram as pesquisas da economia comportamental, Richard Thaler desenvolveu um estudo em 1985 usando a teoria da regressão à média para explicar o comportamento de investidores na Bolsa americana em suas compras e vendas de ações.

Como a economia comportamental explica nossa tomada de decisão?

No estudo conduzido por Richard Thaler, ele observou estatísticas de compra e venda de ações na Bolsa americana pelos últimos 5 anos, usando a teoria de regressão à média como base.

Utilizando a palavra inglesa overreaction – que pode ser traduzida como “reação exagerada” –, ele explicou o aumento ou a queda drástica no preço de um ativo pela maneira como os investidores reagiam a notícias recentes, fossem elas boas ou más.

Porém, a tendência seguinte era a de correção automática dos preços, de acordo com o comportamento automático dos próprios investidores. Ou seja, o preço de uma ação que caiu ou subiu drasticamente era seguido de um movimento de estabilização em direção à média anterior.

O overreaction e a regressão à média ainda explicam bastante como o mercado de ações e seus investidores tomam decisões que parecem irracionais em um primeiro momento, mas acabam por seguir um padrão consistente.

Onde a economia comportamental é aplicada?

Não faltam aplicações para os conceitos desse tipo de economia. Um deles foi citado no início do nosso artigo: muitas dicas dadas por influenciadores da área financeira usam a economia comportamental como base, mas com propósito educativo.

Porém, um dos setores que mais usam seus conceitos é o de marketing. Grandes empresas como Google e Coca-Cola, por exemplo, apelam mais para a construção de hábitos e para sensações do que para as características técnicas de seus produtos.

Você compra Coca-Cola em vez de outros refrigerantes de cola porque ele é o melhor ou porque no próximo almoço de domingo da família você já imagina a garrafa icônica como membro da mesa?

Usa o Google para fazer buscas porque tem certeza de que seu motor de busca é realmente o melhor programado ou porque você já associou a empresa às procuras por informação na internet?

Ambas as empresas investiram milhões em pesquisas de hábitos de consumo, entendendo em quais pontos seus consumidores tomam a decisão sem considerar fatores técnicos. Ou seja, usam a economia comportamental como base.

O que o conceito ajuda a responder? 

Agora que já entendeu o principal conceito por trás das teorias da economia comportamental, você pode estudá-las para compreender:

  • Por que investidores vendem ações antes de elas subirem ou por que eles as mantêm mesmo quando estão em queda;
  • Por que estamos dispostos a gastar mais ao comprar no crédito;
  • Por que empresários investem em produtos falidos;
  • Por que preferimos recompensas imediatas, mesmo que menores do que as de longo prazo.

Qual é a importância da economia comportamental nos investimentos?

Como mostramos em alguns exemplos ao longo do artigo, a economia comportamental está diretamente ligada à maneira como operamos na Bolsa de Valores ou até mesmo quando compramos algo simples.

Ou seja, entender seu conceito é fundamental para descobrir os principais mecanismos que podemos usar para mantermos nossa disciplina ao investir. Principalmente para não cair em armadilhas mentais que podem nos levar a tomar decisões equivocadas.

Quer saber mais sobre economia comportamental nos investimentos e ficar atualizado em relação às principais dicas para se tornar um investidor melhor? Então nos envie já uma mensagem para ajudarmos você a investir sem medo!

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