Demanda efetiva: veja o que é e como influencia na economia

A demanda efetiva é um conceito econômico muito utilizado em crises, mas é alvo de debate de especialistas. Entenda por quê.

Demanda efetiva

Você conhece o conceito de demanda efetiva e sua influência no cenário macroeconômico? Criado há mais de 80 anos pelo economista John M. Keynes, esse princípio ainda é relevante para estudar as flutuações do capitalismo e suas dinâmicas de mercado. Há quem defenda essa ideia — principalmente no Brasil, que possui tradição keynesiana — e há quem negue sua viabilidade — como apontam as tendências do governo atual.

Neste artigo, você vai conhecer melhor o princípio de demanda efetiva e entender a polêmica ao redor desse termo. Siga a leitura e fique bem-informado.

O que é demanda efetiva

Demanda efetiva é um conceito macroeconômico que representa a demanda agregada que de fato se realiza no mercado, para a qual existe capacidade de pagamento — e não apenas a procura potencial.

O conceito foi criado pelo economista britânico John M. Keynes e se opõe à teoria econômica clássica, propondo um modo diferente de compreender as relações entre empresários, trabalhadores e consumidores no capitalismo. Na teoria clássica, “a oferta cria sua própria demanda”, como determina a chamada Lei de Say: a ideia de que tudo que é produzido pode ser consumido no mercado e de que o produto é igual à renda e igual aos custos (ainda que haja subprodução ou superprodução). Já para Keynes,o patamar de equilíbrio não pode ser definido pela relação entre a demanda e a oferta, mas sim pela dinâmica entre oferta e demanda efetiva.

Logo, os empresários oferecem um determinado volume de empregos conforme os ganhos que esperam receber com a produção resultante (demanda agregada), e buscam maximizar seus lucros com base nesses custos necessários para oferecer os postos de trabalho (oferta agregada). Quando a oferta agregada e a demanda agregada se cruzam, temos o ponto da demanda efetiva: o conceito que define o nível de produto agregado e de renda no mercado.

Demanda efetiva e o Keynesianismo

O princípio da demanda efetiva é um dos pontos centrais da teoria macroeconômica de John M. Keynes: a vertente do Keynesianismo. Em sua obra A Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda (Palgrave Macmillan, 1936), o economista propõe que o capitalismo é um sistema econômico instável e se opõe à tradição neoclássica.

Para ele, os desequilíbrios da economia capitalista não são resolvidos automaticamente com os mecanismos do mercado, como sugerido pela teoria da “mão invisível” de Adam Smith (símbolo da defesa do livre-mercado). Logo, o autor defendia a intervenção governamental na economia, especialmente em situações de crise provenientes de insuficiência de demanda efetiva e aumento do desemprego.

No caso, o estado deveria gerar artificialmente um déficit para incentivar os investimentos e reaquecer a economia, absorvendo o excesso de produção e equilibrando os empregos e a propensão ao consumo. Ou seja: a teoria geral keynesiana afirma que o emprego só pode aumentar paralelamente ao investimento, a não ser que ocorra uma mudança na propensão a consumir. Dessa forma, a ação do estado seria indispensável para corrigir as falhas de mercado através do capital dos contribuintes.

Demanda efetiva e a crise de 1929

A Crise de 1929, ou Grande Depressão, foi o maior colapso histórico do capitalismo, que teve início em 1929 e terminou somente após a Segunda Guerra Mundial. Seus efeitos foram altas taxas de desemprego, quedas drásticas do PIB de diversos países, desmonte da produção industrial, mortalidade empresarial recorde e perdas inestimáveis de acionistas e investidores.

Em uma análise keynesiana, a superprodução foi uma das principais causas da maior crise capitalista já vista pela humanidade, já que a demanda efetiva é que determina as flutuações econômicas.

Para o economista, os fenômenos de sobreacumulação e subinvestimento explicam as oscilações bruscas na demanda efetiva frente à demanda potencial — que podem gerar crises cíclicas de várias intensidades. Nesse contexto, a teoria de Keynes ganhou notoriedade, principalmente, porque a teoria clássica não foi capaz de explicar o impacto da crise de 29 nos EUA.

Debate sobre a teoria da demanda efetiva

A teoria da demanda efetiva divide opiniões entre economistas, e não há um consenso sobre sua aplicação no cenário moderno. Há quem defenda, por exemplo, que a atual crise econômica-política brasileira tem raízes no modelo keynesiano impostos pelos governos anteriores. Sob esse ponto de vista, as constantes intervenções do estado na economia e o déficit governamental contínuo foram responsáveis pela situação de recessão econômica.

Por outro lado, outros economistas argumentam que a demanda efetiva de Keynes ainda é válida, mas não se aplica a todos os contextos e é constantemente distorcida. Isso porque, em tese, o governo deveria cessar os gastos e voltar ao equilíbrio orçamentário após o déficit proposto pelo autor, que deveria ser utilizado apenas em algumas situações de crise e necessidade de retomar o crescimento.

Mas, em países como o Brasil, não foi o que aconteceu: o estado continuou elevando seus gastos, aumentando o endividamento e criando impostos. De qualquer modo, o atual governo está mais inclinado ao ultraliberalismo e livre mercado — e poderemos testemunhar as mudanças econômicas daqui para frente.

Entendeu por que é importante compreender a demanda efetiva? Então, continue acompanhando os conteúdos da Capital Research e fique por dentro da macroeconomia e análise de investimentos.

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