Currency board: descubra o que é, como funciona e exemplos

O currency board é um sistema de administração monetária adotado em alguns países. Veja como ele funciona e como é implementado.

Não sabe o que é currency board e como ele se aplica na prática? Tudo bem, você está no lugar certo.

O currency board é um sistema de administração monetária que garante a troca de uma moeda nacional por moedas estrangeiras a uma taxa de câmbio fixa e imutável. Dessa forma, ele gera conversibilidade rápida para a moeda de um país.

Quer entender melhor como funciona? Siga com a leitura, saiba o que é currency board, qual é sua estrutura e implementação e confira exemplos de países que já adotaram.

O que é o currency board

Currency board é um sistema de administração monetária responsável por estabilizar a moeda de um país por meio do regime cambial fixo. Também chamado de comitê monetário ou fundo de estabilização cambial, trata-se de um agente de conversão cambial.

Em Elementos jurídicos da reestruturação internacional da dívida pública (Editora Blucher, 2012), Gabriel Loretto Lochagin afirma que essa estratégia de política monetária tem como característica central a garantia de troca, a uma taxa fixa, da moeda local pela moeda estrangeira lastreada.

“A credibilidade desse regime advém da existência de reservas externas em quantidade igual ou superior ao valor da moeda local em circulação”, afirma.

O currency board tem como função converter a moeda nacional em uma outra moeda específica, chamada de moeda-âncora, e vice-versa. Essa conversão é feita por meio de uma taxa de câmbio fixa e imutável.

Em outras palavras, a moeda vira uma substituta para uma moeda estrangeira.

Com esse sistema, um banco central só pode imprimir e emitir moedas, além de colocá-las em circulação, se moedas estrangeiras entrarem nas reservas. Ou seja: ele não pode criar moeda para trocá-la por qualquer ativo na economia.

No entanto, o currency board não regula bancos, tampouco controla os juros do país.

Vale mencionar que, com um sistema de currency board, o governo fica incapacitado de fazer política monetária, o que poderia levar a uma desvalorização da moeda nacional, dependendo de fatores internos e externos.

Como é a estrutura do currency board

O currency board funciona como se fosse uma casa de câmbio. Trata-se de uma estrutura que demanda custo baixíssimo e que pode ser montada pela iniciativa privada.

Funciona assim: no currency board, os investimentos realizados podem ser direcionados somente a ativos de alta liquidez do país da moeda-âncora. Portanto, não pode obter ativos do país em que atua.

Vamos supor, então, que o currency board tem como moeda-âncora o dólar. Nesse caso, ele poderia fazer investimentos em títulos do governo americano, por exemplo, mas não comprar ativos do país onde mantém suas operações.

Implementação de um currency board

A implementação de um currency board é simples e rápida.

O processo que requer mais atenção é a definição da taxa de câmbio. Primeiro, deve ser anunciada a adoção do currency board para o mundo todo, informando sobre a taxa de câmbio que será utilizada a partir de uma data específica.

Depois, o mercado de câmbio é liberado, sem restrição à entrada e saída de capitais e sem impostos. Nesse caso, cria-se um mercado cambial livre que, em cerca de um ou dois meses, identifica o valor real da moeda do país.

A próxima etapa requer a atuação de investidores e especuladores. Caso a proposta do currency board seja eficaz, ocorre a apreciação do câmbio até que o câmbio fixo seja adotado, conforme a data estipulada.

Exemplos de países que já adotaram o currency board

Agora que você já está familiarizado com o conceito e estrutura do currency board, vale a pena conferir exemplos de países que implantaram esse sistema no passado.

Um deles é o Brasil, onde o currency board foi implementado durante a época de vigência do sistema monetário internacional do padrão ouro, que ocorreu do século 19 à Primeira Guerra Mundial.

O modelo, chamado de Caixa de Conversão, foi colocado em prática em 1906, mas teve fim em 1920. O objetivo era combater a crise no mercado do café que se instalava à época, mantendo o equilíbrio no poder de troca entre a moeda brasileira e as moedas estrangeiras por meio do ouro como lastro.

Conforme explica Francisco Vidal Luna, em História econômica e social do Brasil (Editora Saraiva, 2017), o café era crucial para a economia brasileira, já que se tratava da principal atividade econômica e era responsável por mais da metade das exportações.

“Baseada em um lastro ouro a Caixa de Conversão compraria e venderia moeda estrangeira à taxa fixa de 15 pence por mil-réis, pagando com moeda conversível”, contextualiza o autor.

Outro exemplo de adoção do sistema é a Estônia, que teve um currency board de 1992 a 1999, quando a taxa de câmbio era fixada ao marco alemão. No início de 1999, quando o marco alemão passou a ser euro, a Estônia utilizou a nova moeda como referência para o câmbio, até adotá-la como moeda oficial em 2011.

Atualmente, Hong Kong utiliza um currency board chamado Autoridade Monetária de Hong Kong, fundado em 1993. Ele também atua como banco central.

E aí, ficou mais fácil entender o que é o currency board? Se este conteúdo foi útil, compartilhe.  Aproveite para ler outros artigos do blog da Capital Research e se manter informado sobre o mercado financeiro.

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