CDO: Entenda a Obrigação de Dívida Colateralizada

CDO, ou Collateralized Debt Obligation, é a Obrigação de Dívida Colateralizada, um instrumento para realizar empréstimos. Saiba mais

Se você acompanhou a crise de 2008 dos Estados Unidos, deve ter ouvido falar em CDO. 

Collateralized Debt Obligation, ou Obrigação de Dívida Colateralizada, foi um dos elementos centrais de discussão do período.

Mas vale entender que o CDO não é apenas uma marca na história americana.

Inclusive, pode ter relação com o seu dinheiro.

O mecanismo ainda é muito utilizado pelas instituições financeiras e, com o ajuste correto, funciona de forma adequada.

Siga a leitura, saiba o que é o CDO e como ele é empregado atualmente no mercado.

O que é CDO – Collateralized Debt Obligation?

CDO é um instrumento de securitização de uma dívida que tem garantias de recebimento. 

Isto quer dizer que há um processo de transformar uma obrigação de pagamento em vários títulos. 

Porém, eles estão assegurados com ativos que podem cobrir o valor a ser pago. Ou seja, está colateralizado.

Vamos destrinchar um pouco mais o que é CDO através de um exemplo bem simplificado, ok?

Pense que uma pessoa precisa pegar um empréstimo em uma financeira e, para isso, oferece seu carro como garantia de pagamento. 

Vamos imaginar que o indivíduo precisa de R$ 50 mil (crédito) e oferece seu veículo avaliado em R$ 50 mil (garantia) em troca.

Nesse caso, seu bem pode ser utilizado caso não consiga honrar com os pagamentos.

A financeira que concede o empréstimo transforma a dívida do dono do automóvel em títulos. 

Assim, ela consegue negociar no mercado financeiro o crédito que acabou de ceder e dilui o risco na mão de investidores.

Eles, por sua vez, compram frações da dívida como forma investimento e têm, como garantia de pagamento, um ativo – neste caso, o carro. 

Dessa forma, passam a ser os “donos” da dívida e, ao mesmo, estão colateralizados.

Conseguiu compreender um pouco mais sobre esse complexo processo? 

Mas fique atento, pois há muito mais a saber sobre o CDO.

Principais características do CDO

O Collateralized Debt Obligation é um derivativo que pode ter como lastro um grupo de operações. 

Elas podem ser hipotecas, títulos de renda fixa ou operações de crédito bancário, por exemplo.

A dívida é, então, transformada em títulos e esses papéis correspondem a recebíveis. De acordo com o risco assumido, os recebíveis podem ser classificados em:

  • Senior tranches
  • Mezzanine tranches
  • Equity tranches.

Em eventuais perdas, os prejuízos são aplicados em ordem inversa de senhoridade. Ou seja, os seniores recebem antes dos demais, seguindo a sequência de recebíveis, passando pelos mezzanine até chegar aos equity.

Em contrapartida, os recebíveis de pior classificação compensam os altos riscos com maior remuneração em juros.

São os principais envolvidos no mercado de CDO:

  • Gestores de CDO: fazem a seleção e gestão das operações referentes à garantia
  • Securitizadoras: são as instituições responsáveis pela verificação e aprovação do lastro, além de estruturar o CDO em tranches e vendê-lo aos investidores
  • Garantidores: recebem um pagamento, semelhante ao prêmio no mercado de seguros para garantir parte das tranches do CDO
  • Investidores institucionais: compram os papéis de longo prazo, tais como o CDO.

CDO x CDS

No Brasil, existem as chamadas “factoring”. 

De maneira semelhante ao CDO, essas instituições fornecem empréstimos em troca do direito de recebimento de dívidas. 

Para isso, emitem títulos.

Porém, eles não são regulamentados e, portanto, têm riscos financeiros que o CDO não têm. 

Assim, as factoring emitem o Credit Default Swap (CDS).

O ativo também é usado para garantia do recebimento. 

No entanto, diferentemente do CDO, no qual o endividado fornece a garantia, no CDS, é a instituição emissora que se dispõe a pagar uma premiação se houver inadimplência.

Pontos de atenção com o CDO

  1.  

A crise americana de 2008, conhecida como Crise de Subprime, revelou os perigos do uso desregulado do CDO.

À época, as instituições financeiras do país passaram a conceder crédito de forma indiscriminada a potenciais maus pagadores – os chamados “sub-prime”.

Fazendo hipotecas para a compra de casas, esses compradores se endividaram e não conseguiram pagar o empréstimo. 

Os bancos de investimentos que compraram os títulos das dívidas começaram a ver diversos pagamentos mensais se transformando em imóveis pagos como garantia.

Com o aumento volumoso da inadimplência e consequente crescimento da oferta de casas, o valor dos imóveis começou a cair e, assim, a garantia passou a ser muito pequena para cobrir os custos e lucros esperados.

A partir de então, a “bola de neve” de calotes e o acúmulo de imóveis deu origem à crise de crédito americana.

Portanto, comprar títulos colateralizados requer que o investidor consiga olhar mais profundamente para o mercado em questão.

Faz-se necessário estudar os riscos envolvidos no negócio para verificar se a compra dos papéis oferece garantias reais e rentáveis, considerando um possível calote.

No geral, o Collateralized Debt Obligation já funciona há certo tempo no mercado, possibilitando um maior volume de operações de empréstimo.

Assim, o CDO faz parte de uma cadeia que transfere créditos e direitos de recebimento, mantendo ativos como garantia de pagamento.

Se você está pensando em investir em papéis colateralizados, avalie a questão e conte pra gente como pretende fazer o investimento.

Aproveite para acessar nosso site e descobrir mais sobre como encontrar as melhores oportunidades de investimento de forma gratuita.

Obrigado pela leitura!

Recomendados

Investimentos

Commodities: O que são e como investir?

Não é só de Bovespa que vive o investidor. Vem descobrir como funcionam os ...

3 anos atrás

Investimentos

Crescimento e desenvolvimento econômico: Guia completo para você saber tudo sobre o assunto

Você sabe o que é crescimento e desenvolvimento econômico? Neste guia você vai ...

3 anos atrás

Investimentos

Derivativos: o que são, para que servem e como usar

Derivativos são armas de destruição em massa nos investimentos ou formas de ...

2 anos atrás