Cálculo de depreciação: como fazer e qual sua importância

Entenda o que é depreciação, como calcular e a importância de estar atento para não perder dinheiro.

O cálculo de depreciação de ativos é uma ferramenta importante para as finanças e os investimentos. Com ele, são reduzidas as margens de erro em decisões de alocação de recursos de longo prazo. 

Antes de comprar ações de uma empresa, por exemplo, é importante fazer um cálculo de depreciação dos ativos que ela possui. 

Somado a outros fatores, essa avaliação ajuda a definir o verdadeiro valor da companhia e quanto você pode pagar para se tornar “sócio” dela. 

Ficou interessado em aprender mais sobre cálculo de depreciação e sua aplicação? 

Então siga a leitura. 

O que é cálculo de depreciação?

O cálculo de depreciação é uma estimativa da redução do valor de um ativo devido ao uso, desgaste, obsolescência ou ação do tempo e da natureza. 

Existem ao menos duas compreensões da ideia de depreciação. 

A primeira é a fiscal, pela qual as empresas prestam contas à Receita Federal. 

Companhias tributadas pelo Lucro Real precisam desses cálculos para definir o quanto devem pagar de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ). 

artigo 305 do Regulamento do Imposto de Renda estipula os seguintes prazos para depreciação total: 

  • anos para veículos 
  • 10 anos para móveis 
  • 25 anos para imóveis. 

Já uma visão mais gerencial da depreciação observa que o bem não perde 100% do seu valor nesse prazo. 

Um veículo, por exemplo, tem vida útil maior do que cinco anos. 

E mesmo após um tempo mais longo, em caso de venda, ainda terá alguma parte do valor inicial. 

Por isso, o cálculo de depreciação serve tanto para a definição de imposto quanto para a administração do negócio. 

E é preciso entender as peculiaridades dos ativos em cada mercado para aprender a identificar o verdadeiro valor de cada um deles. 

Métodos de cálculo de depreciação de ativos 

Estes são os métodos de cálculo de depreciação de ativos mais usados, dependendo das características e do tipo de uso de cada ativo: 

Método Linear 

O método linear, ou em cotas constantes, é o mais usado. 

Ele define que a desvalorização ocorre de forma regular ao longo da vida útil do bem. 

Sua fórmula é a seguinte:  

DA = (VN – VR) / N 

Onde: 

  • DA = Depreciação Anual 
  • VN = Valor Novo (ou VI ou V0, valor inicial) 
  • VR = Valor Residual ou de sucata 
  • N = Vida útil em Número de anos 

Por exemplo, uma máquina comprada por R$ 10.000,00, que teria valor de mercado de cerca de R$ 4.000,00 após o fim de sua vida útil (estipulada em 10 anos), pelo método linear teria uma depreciação de R$ 600,00 por ano, ou R$ 120,00 por mês. 

DA = (10.000 – 4.000) / 10 

DA = 600 

Método da Soma dos Dígitos  

O método da soma dos dígitos dos anos, ou em contas decrescentes, prevê uma desvalorização mais acentuada nos primeiros anos, portanto não linear. 

É um cálculo mais complexo. 

Primeiro, soma-se os algarismos do período de vida útil de um bem. 

Por exemplo, se for de cinco anos, esse valor será 15 (afinal, 1 + 2 + 3 + 4 + 5 = 15). 

Para determinar a depreciação de cada ano, multiplica-se o valor a ser depreciado por uma fração na qual: 

  • O denominador (número de baixo) é a soma dos dígitos. 
  • O numerador (número de cima), no primeiro ano, é o total de anos da vida útil restante a cada ano. 

Por exemplo, se um bem vai perder R$ 50.000 em cinco anos, teremos: 

  • Primeiro ano = 50.000 x 5/15, ou (50.000 x 5) : 15 = R$ 16.666,67. 
  • Segundo ano = 50.000 x 4/15, ou (50.000 x 4) : 15 = R$ 13.333,33. 
  • Terceiro ano = 50.000 x 3/15, ou (50.000 x 3) : 15 = R$ 13.000,00. 
  • Quarto ano = 50.000 x 2/15, ou (50.000 x 2) : 15 = R$ 6.666,67. 
  • Quinto ano = 50.000 x 1/15, ou (50.000 x 1) : 15 = R$ 3.333,22. 

Lembre-se de que os R$ 50 mil representam o valor depreciável, ou seja, o total perdido ao longo daquele tempo. 

Caso seja levada em conta a depreciação total, deve-se usar o valor total do bem. 

Porém, se houver valor residual, como no caso anterior, desconte o valor residual do valor inicial para saber a quantia depreciável a ser usada no cálculo. 

Método das Horas de Trabalho 

O método das horas de trabalho estabelece a cota de depreciação dividindo as horas trabalhadas no período pelo total de horas estimadas em toda a vida útil. 

No caso de um bem usado em dois turnos de oito horas diárias, a perda anual será multiplicada por 1,5, e em três turnos, por 2. 

Por isso, também é conhecido como método da depreciação acelerada.  

Método das Unidades Produzidas 

Neste método, o cálculo de depreciação em um determinado período é feito dividindo o número de unidades produzidas naquele período pela estimativa de unidades a serem produzidas durante toda a vida útil. 

Como dá para ver, o assunto é complexo, mas tem uma lógica que, com o tempo e a familiaridade com o assunto, torna tudo mais fácil. 

Como fazer o cálculo de depreciação: passo a passo 

A seguir, confira um resumo, passo a passo, do que fazer para acertar no cálculo de depreciação: 

  1. Verifique o tipo de depreciação que o ativo em questão sofre 
  2. Se for contínuo e o bem sofrer depreciação total, é só dividir o valor total pelo tempo de vida útil
  3. Se for contínuo e houver um valor residual, aplique o método linear para descobrir a taxa de depreciação
  4. Se a desvalorização for mais forte no primeiro ano, use o método da soma dos dígitos 
  5. Em caso de maquinário industrial, pode-se aplicar o método das horas de trabalho ou das unidades produzidas. 

Gostou das dicas deste artigo? 

Então deixe um comentário e compartilhe nas suas redes sociais. 

Recomendados

Investimentos

Ação Vale: saiba as informações principais e o que pode afetar em seu valor

Conheça mais sobre a VALE3, código das ações da Vale, e entenda quais fatores ...

3 anos atrás

Investimentos

Anbima: entenda o papel dessa associação reguladora do mercado financeiro

Saiba mais sobre o que é a Anbima, entendendo seu papel regulador do mercado e ...

3 anos atrás

Investimentos

Bens inferiores: o que são, principais conceitos e exemplos práticos

Neste artigo, exploramos como são caracterizados os bens inferiores, os desafios de ...

3 anos atrás