Volatilidade: significado e como encarar nos investimentos

A volatilidade pode ter significado distinto de um investidor para o outro. Entenda como usá-la para ganhar mais.

O significado de volatilidade no mercado financeiro é simples: ela indica quanto o preço de um ativo oscila em um determinado período.

Assim, uma volatilidade alta indica uma grande oscilação nos preços, e uma volatilidade baixa mostra o contrário — que os preços não sofreram grande variação no período analisado.

Mas até que ponto a volatilidade pode ser uma aliada dos investidores? Afinal, “volatilidade é vida”, como dizem alguns? Neste artigo, você vai entender o significado de volatilidade para o seus investimentos e também vai conhecer os cuidados que precisa tomar ao analisar esse indicador.

Significado de volatilidade nos investimentos

Volatilidade tem um significado fácil de entender no mercado financeiro: representada em um número percentual, ela mostra quanto o preço de um ativo variou durante um período de tempo analisado.

Na prática, a volatilidade indica com qual intensidade e frequência esse ativo variou de preço. Por isso, ela permite comparar aplicações financeiras para entender quais representam um risco maior ao investidor, a fim de descobrir se os retornos compensam os riscos.

Suponha, por exemplo, que você esteja interessado em dois fundos de investimentos em ações. Olhar apenas para a rentabilidade dos fundos em um período não é suficiente para tomar decisões – é preciso comparar a rentabilidade com a volatilidade do período.

Uma rentabilidade anualizada de 11% a.a. talvez não seja melhor do que uma rentabilidade de 10% a.a. se a volatilidade do segundo fundo for menor que a primeira.

Mas a volatilidade não é necessariamente algo ruim. Para quem investe de olho no longo prazo e tem a mentalidade de acumular capital, buscar por ativos de maior volatilidade pode ser interessante. Além disso, do ponto de vista dos daytraders, a volatilidade é o que garante oportunidades diariamente. 

Vamos entender melhor esses conceitos a seguir. Antes, é preciso compreender quais cuidados você deve tomar com a volatilidade nos investimentos.

Cuidados com a volatilidade nos investimentos

Agora que você já conhece o significado de volatilidade, nós listamos, a seguir, os principais cuidados que você precisa tomar com a volatilidade nos investimentos.

Volatilidade pode ser utilizada como uma medida de risco

Em primeiro lugar, você precisa ficar atento quando analisa a volatilidade de um investimento, porque ela pode ser utilizada como uma medida de risco.

Portanto, veja a volatilidade não apenas como uma oscilação dos preços, mas também como os riscos que envolvem aquela aplicação. Na prática, quanto a maior a volatilidade, maior a chance de você ter prejuízos no curto prazo, o que nos leva ao próximo tópico. 

No curto prazo, volatilidade pode significar prejuízos

Quem investe com foco no curto prazo – alguns meses, por exemplo – deve ficar longe de ativos com muita volatilidade se não possuir uma estratégia consolidada para utilizar essa volatilidade a seu favor.

Perceba, por exemplo, a rentabilidade e a volatilidade de algumas aplicações financeiras ao longo de 2019:

  • Bitcoin: 145% / 85%
  • Small Caps: 58% / 16%
  • IFIX: 36% / 4%
  • Ibovespa: 32% / 18%
  • CDI: 6%/ 0%
  • Dólar: 4%/ 11%

Como se vê, o bitcoin foi a aplicação que gerou o maior retorno em 2019, mas também teve a maior volatilidade. Ou seja: foi o ativo cujo preço oscilou de forma mais acentuada durante o ano.

E o que aconteceria se alguém tivesse investido no bitcoin em alguns períodos curtos específicos ao longo de 2019?

  • 05/01/19 a 08/02/19: -4,3%
  • 09/07/19 a 28/07/19: -24,6%
  • 08/08/19 a 24/10/19: -36%

Mesmo com o bitcoin tendo acumulado 145% de rentabilidade entre o primeiro e o último dia de 2019, quem operou o ativo nesses intervalos de tempo selecionados teria arcado com prejuízos. É por isso que a volatilidade do bitcoin foi tão alta (85%) em 2019. 

Você percebe como a volatilidade pode significar risco no curto prazo, se você não souber o que está fazendo?

Stop loss ajuda a proteger contra volatilidade

Uma das alternativas para se proteger contra a volatilidade dos ativos na renda variável é operar com stop loss. Esses mecanismos vendem automaticamente um ativo e encerram a operação caso um determinado preço seja alcançado. 

Dessa maneira, evitam um prejuízo ainda maior. Só que operar dessa maneira pode ser destrutivo para o seu patrimônio, caso você tenha mais operações perdedoras do que vencedoras.

Para fundos, volatilidade pode ser mortal

Quando falamos em fundos de investimento, a volatilidade pode significar o colapso do fundo, caso os cotistas se assustem com uma queda repentina e desejem sacar os valores aportados, por exemplo.

Perceba que, neste caso, não importa se a tese de investimento do gestor estiver correta e o mercado mostre, no longo prazo, que ele tinha razão. Se uma queda brusca levar a resgates em massa dos cotistas, o fundo pode se ver obrigado a liquidar suas posições, o que, em casos extremos, pode inviabilizar a continuidade do fundo.

Para a mesma rentabilidade, prefira a aplicação de menor volatilidade

Existe um consenso entre analistas do mercado financeiro, principalmente ao comparar ativos do mesmo tipo em um prazo de tempo longo: se duas aplicações atingem a mesma rentabilidade, o melhor para o investidor é o investimento que tiver a menor volatilidade.

A lógica é simples: isso significa que aquele fundo ou título de crédito, por exemplo, entregou o mesmo retorno correndo menos riscos

Voltando aos exemplos de 2019, compare a rentabilidade/volatilidade do IFIX e do Ibovespa

  • IFIX: 36% / 4%
  • Ibovespa: 32% / 18%

O IFIX proporcionou um retorno maior com uma volatilidade muito menor. Não há dúvidas, portanto, de que foi um investimento muito melhor do que o Ibovespa no período.

Rentabilidade precisa compensar volatilidade

Outra conclusão que se tira dessa análise é que a rentabilidade de um investimento deve compensar a sua volatilidade. Isso é especialmente importante ao analisar o desempenho de fundos de investimentos. 

Em muitos casos, um gestor que alcança uma rentabilidade superior à de outro gestor não é necessariamente melhor – ele apenas tomou mais risco.

Uma forma de calcular se a rentabilidade está compensando a volatilidade é por meio do índice de Sharpe. Ele mede o desempenho de um investimento comparado a um ativo livre de risco, como o CDI, após o ajuste para seu risco.

Volatilidade tem outro significado para daytraders

Para daytraders, a volatilidade tem um significado diferente, porque eles dependem dessa oscilação do mercado para operar.

Na prática, quanto maior a volatilidade de um ativo, maiores as chances do daytrader encontrar oportunidades de ganhar nas operações – assim como é a maior a chance de perder.

Esses profissionais, no entanto, trabalham com gestão de risco e mecanismos de stop loss, que permitem reduzir prejuízos e controlar as perdas.

Afinal, volatilidade é vida?

Se você acompanha gestores, analistas e investidores no Twitter, a chamada Fintwit, já deve ter visto debates em que alguns gestores, como Henrique Bredda e Helô Cruz, defendem a tese de que “vol é vida”.

O argumento é de que a volatilidade pode representar uma ótima oportunidade para investidores de longo prazo, que aproveitam a queda irracional no preço dos ativos para aumentar as posições em empresas que consideram atraentes.

O próprio Warren Buffett, um dos investidores mais famosos da história, repercute a ideia de que quedas incomuns nos preços dos ativos, quando isso não se reflete no valor da empresa — apenas no preço —, podem representar uma oportunidade.

Na prática, volatilidade pode significar, sim, uma oportunidade, assim como pode significar risco. Tudo depende do seu perfil de investidor, da sua estratégia de investimentos, do seu horizonte de investimento e do seu grau de aversão à flutuação de preços.

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