Operar opções: 4 cuidados necessários para começar

Operar opções pode ser interessante e lucrativo, mas esse mercado não é para amadores. Entenda os riscos e quais cuidados tomar.

Operar opções pode ser uma estratégia interessante para quem deseja proteger a carteira de ações, apostar contra uma empresa ou maximizar lucros com a valorização do mercado.

Mas, por mais tentador que pareça, o mercado de opções não é para amadores. É necessário estudo e um amplo conhecimento do mercado de capitais para operar opções com controle de risco.

Neste artigo, você vai entender quais são esses riscos e que cuidados você precisa tomar ao operar opções.

Operar opções não é para amadores

Antes de explicar os perigos de operar opções, é preciso lembrar que atuar nesse mercado exige conhecimento e experiência por parte do investidor.

Se você está dando seus primeiros passos na renda variável, não é recomendável se aventurar pelo mercado de opções, porque são grandes as chances de você sair no prejuízo, caso não saiba o que está fazendo.

Ao negociar opções de ações, por exemplo, você não está comprando ou vendendo ativos especificamente, mas contratos que dão o direito de comprar ou vender aquelas ações a um determinado preço, em uma data futura.

Por isso, as opções são conhecidas como derivativos – os contratos derivam de um ativo principal, conhecido como ativo-objeto.

Quem está começando a investir no mercado de capitais pode ficar tentado pela possibilidade de ganhos exponenciais que o mercado de opções oferece, mas é preciso entender que, no mercado financeiro, não existe almoço grátis: você só conseguirá retornos maiores se ficar exposto a mais riscos. 

E quais são esses riscos? É o que vamos entender a seguir.

Perigos de operar opções

A seguir, listamos os principais riscos de operar opções – principalmente para quem está dando seus primeiros passos no mercado financeiro.

1. Você pode perder tudo que investiu

Se você está comprando opções de compra (call) ou venda (put) de um ativo, na condição de titular, você corre o risco de perder todo o valor investido, caso o mercado não se comporte da maneira como você imaginava. 

Suponha, por exemplo, que você tenha pago um prêmio de R$ 3 mil para ter o direito de comprar ações da Petrobras por R$ 30 em três meses. 

Se as ações caírem devido à queda no preço do petróleo e as ações da Petrobras caírem para R$ 20 na data de vencimento das opções, será mais barato comprar as ações no mercado do que efetivar o direito que você adquiriu pelo prêmio pago.

Na prática, portanto, você perderá todo o valor pago no prêmio. Isso acontece porque as ações viram pó após a data de vencimento. 

2. Opções viram pó após o vencimento

Um dos principais riscos de operar opções está relacionado ao fato de que as opções viram pó após a data de vencimento. Entender esse conceito é importante porque mostra o tamanho do risco ao qual você está exposto.

Se o mercado não se comportar da maneira como você espera, suas ações vão virar pó após o vencimento. Elas não existirão mais. 

Isso significa que, ao contrário do mercado de ações, em que é possível segurar as ações pode um determinado tempo caso elas apresentem um comportamento que você não previu, nas opções isso não acontece. Depois do vencimento, não há mais o que você possa fazer.

É por isso que os investidores que especulam dessa maneira expõem uma parte ínfima do capital para operar opções

3. Você pode perder até mais do que investiu

Se já é ruim perder todo o valor que você investiu, imagine correr um risco ilimitado, de perder muito mais do que você poderia ganhar, com prejuízo potencialmente “infinito”.

É isso que acontece com os lançadores quem que vendem uma opção de compra (call) a descoberto, ou seja: sem possuir as ações pelas quais estão oferecendo opções de compra.

Se a data de vencimento chegar e o titular da opção, que comprou as calls, decidir exercer o direito, o lançador precisará comprar as ações no mercado pelo preço atual e vender ao preço da opção. O prejuízo é potencialmente ilimitado.

Fica mais fácil entender com um exemplo. Suponha que você não esteja prevendo que as ações de Petrobras vão se valorizar no curto prazo (três meses), e que a ação está sendo negociada a R$ 20. Neste caso, você vende 1.000 opções de compra (calls) ao mercado, com vencimento em três meses, ao custo de R$ 0,5 por opção. E o preço para exercer a opção de compra será de R$ 25,00, uma diferença de R$ 25% em relação ao preço atual, de R$ 20.

Portanto, se as ações da Petrobras não se valorizarem pelo menos 25% nos próximos três meses, você terá ganho R$ 500 limpos, referentes ao preço de 1.000 opções de compra vendidas a R$ 0,5 cada.

Agora, suponha que a Petrobras encontre novas reservas de petróleo e, ao mesmo tempo, o preço do barril do petróleo salte 70%, graças a conflitos na Arábia. As ações da Petrobras disparam e começam a subir vertiginosamente, chegando a valer R$ 40 na data de vencimento.

E agora? O titular da opção de compra vai obviamente exercer a opção, porque tem direito a comprar, por R$ 25, uma ação que está sendo negociada no mercado por R$ 40. E você precisará ir ao mercado comprar essas ações por R$ 40 para vender a R$ 25. 

Portanto, seu prejuízo será de R$ 15 por opção, porque você vai comprar por 40 e vender por 25. Como foram negociadas 1.000 opções, você vai perder R$ 15 mil nessa operação. Descontando o prêmio de R$ 500 pago pelo titular, o prejuízo total fica em R$ 14,5 mil

Ou seja: você arcou com um prejuízo de R$ 14,5 mil em uma operação que poderia ter lucrado apenas R$ 500.

É uma situação hipotética catastrófica, mas mostra os riscos de operar opções quando você vende calls a descoberto.

4. Riscos relacionados ao ativo-objeto

Finalmente, outro risco de operar opções, não desprezível, é o risco relacionado ao ativo-objeto. Ou seja: as ações ou outros ativos dos quais as opções que você pretende negociar são derivados. 

Conforme as ações são impactadas pelo comportamento do mercado e o humor dos investidores, suas opções também serão, já que o preço deriva do ativo principal.

Portanto, as opções assumem riscos próprios, que abordamos acima, que se somam aos riscos dos ativos-objetos. Deu para entender por que operar opções é arriscado se você não souber o que está fazendo?

Antes de operar opções: estude o mercado

Como vimos, há diversos riscos ao operar opções, e todos eles estão associados a duas condições: a falta de conhecimento e a ganância de ganhar um dinheiro fácil.

Por isso, antes de se aventurar por esse mercado, você precisa passar um bom tempo estudando o mercado de ações e, depois, as opções. Gaste vários meses, faça cursos, encontre um mentor e tire todas as suas dúvidas antes de se arriscar nesse mercado.

E, quando você se sentir confiante para operar opções, comece devagar, expondo apenas uma parte ínfima do seu patrimônio às operações. 

E aí, gostou das dicas? Se você está aprofundando seus estudos no mercado de ações, assine a Capital Research e tenha acesso a relatórios exclusivos dos nossos analistas, com recomendações de investimento para guiar suas decisões.

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