Deflação x Inflação: entenda a diferença

Inflação e deflação são termos frequentes nos noticiários do mercado financeiro. São essenciais para escolher os melhores investimentos.

As palavras inflação e deflação aparecem constantemente nos noticiários do mercado financeiro, mas nem todos entendem o que esses termos significam. Entretanto, a inflação e a deflação afetam diretamente a rentabilidade dos seus investimentos.

 

O que é inflação?

A inflação é o aumento dos preços de bens e serviços. Na prática, isso significa que o dinheiro perde valor com o passar do tempo.

Você já deve ter se deparado com alguém falando “antigamente com R$ 10 era possível comprar um monte de coisa, hoje não dá pra comprar mais nada”. Esse é exatamente o efeito da inflação.

Por exemplo, se tivermos uma inflação de 10% ao mês, isso significa que hoje seria possível comprar uma cesta básica com R$ 100, mas no mês seguinte seria preciso R$ 110 para comprar a mesma cesta básica.

Uma das causas da inflação é a lei da oferta e demanda. Em casos de uma procura maior por um produto do que o fornecedor conseguir oferecer, o seu preço pode aumentar.

A mesma coisa acontece quando há escassez de um produto no mercado, mas ainda existe demanda por ele.

Um exemplo recente de inflação é o preço das carnes no mercado brasileiro. A China teve queda na sua produção interna de carne, e com isso passou a importar mais carne de outros países.

Com a China importando mais, e consequentemente pagando mais, os produtores brasileiros direcionaram sua produção para o país asiático. Isso criou uma escassez da carne de boi no mercado brasileiro, sem diminuir pela sua demanda. Isso fez com que o preço da carne de boi aumentasse.

Com o preço da carne de boi mais cara, os consumidores buscaram alternativas, como as carnes de frango e porco.

Essa alta demanda pelas outras proteínas fez com que o preço delas também aumentasse.

Neste caso, a alta demanda de carne pela china foi um dos fatores que puxou o preço destes produtos para cima.

Entretanto, existem vários fatores que podem causar a escassez do produto no mercado, como falta de infraestrutura, greves, ou questões climáticas.

Além disso, a alta do preço de insumos pode criar um efeito cascata e afetar a inflação. O preço do petróleo, por exemplo, tem relação direta com o preço da gasolina. Assim, quando o petróleo aumenta, consequentemente produzir gasolina fica mais caro, e tudo isso é repassado para o preço final, afetando a inflação.

 

O que é desinflação?

Outro termo que causa muita dúvida é a desinflação.A desinflação é quando ocorre diminuição da inflação, ou seja, os preços ainda estão subindo, mas estão subindo menos do que antes.

Voltando ao exemplo da cesta básica, com uma inflação de 10% ao mês, teríamos nossa cesta básica custando R$ 110 reais no segundo mês. Entretanto, se no terceiro mês a inflação for de 5%, significa que a mesma cesta básica estaria custando agora R$ 115,50. Os preços ainda subiram, mas subiram menos do que antes.

 

O que é deflação?

Já a deflação é o oposto da inflação. A deflação é quando acontece a queda dos preços de bens e serviços.

Voltando ao exemplo da nossa cesta básica: se estávamos tendo uma inflação de 10% ao mês, a cesta básica de R$ 100 passa a custar R$ 110 no mês seguinte.

Mas se no terceiro mês acontecer uma deflação de 5%, significa que a cesta básica passaria a custar agora R$ 104,50.

Uma das causas da deflação é quando existe uma grande oferta de um determinado produto, porém não existe demanda suficiente para esta oferta.

Vamos voltar a situação do preço da carne para entender melhor a deflação. Imagine que a China pare de importar carne brasileira, e toda a produção volte para o mercado interno novamente.

Com os preços em alta, os produtores de carne bovina intensificam a produção e aumentam ainda mais a quantidade do produto disponíveis, para atender essa demanda.

Entretanto, passa a ter mais carne bovina no mercado do que pessoas querendo comprar, e começa a sobrar carne no mercado. O resultado é uma deflação: a queda de preços para tentar vender mais carne bovina.

 

Deflação é bom ou ruim?

Se a deflação é a diminuição dos preços, então ela parece uma coisa boa, certo? Bom, não necessariamente. Apesar da redução de preços parecer vantajosa no primeiro momento, uma deflação constante pode trazer impactos negativos.

Em uma crise, é possível que as pessoas passem a consumir menos, diminuindo a demanda e causando a deflação. A deflação pela falta de demanda significa que as empresas passarão a produzir menos, e isso pode refletir em redução de empregos, aumentando a crise.

O mais esperado é que exista uma inflação controlada, não uma deflação, e que isso esteja relacionado a outros indicadores, como quantidade de empregos e renda da população.

 

Como se mede a inflação?

Existem diversos índices que medem a inflação e, consequentemente, a deflação. Normalmente estes índices acompanham o preço de uma cesta de produtos e serviços, em um certo período de tempo. Vamos entender alguns deles:

  • IPCA

IPCA significa Índice de Preços ao Consumidor Amplo. Ele é calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). É considerado o índice de inflação oficial no país.

Ele é medido mensalmente, do dia 1 ao dia 30 ou 31 do mês de referência, e considera o custo de vida de famílias com renda mensal de 1 a 40 salários mínimos, residentes de algumas regiões metropolitanas.

Para compor o índice são considerados nove grupos de produtos e serviços: alimentação e bebidas; artigos de residência; comunicação; despesas pessoais; educação; habitação; saúde e cuidados pessoais; transportes e vestuário.

Ao todo, o IBGE calcula a variação dos preços de 465 subitens.

  • IGP-M

O Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) é calculado pela Fundação Getulio Vargas (FGV). O IGP-M é medido do dia 21 de um mês, até o dia 20 do mês seguinte.

Além de incluir preços de produtos e serviços para o consumidor final, também inclui preços do atacado e da construção civil. É o índice mais usado para reajustar os contratos de aluguel.

  • IGP

O Índice Geral de Preços, também é calculado pela Fundação Getulio Vargas. Ele é uma média ponderada de outros três índices: o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), Índice de Preços ao Consumidor (IPC) e o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC).

  • INPC

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) é outro índice calculado pelo IBGE, e sua medição tem várias similaridades com o IPCA.

As maiores diferenças no INPC é que, diferente do IPCA, este índice mede uma faixa da população que possui renda mensal entre 1 e 6 salários mínimos. Além disso, ítens básicos, como o preço das passagens de ônibus, tem maior peso neste índice.

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