Câmbio flutuante: o que é e quais são seus benefícios

O sistema de câmbio flutuante é um aspecto essencial da economia brasileira. Quer saber como funciona? Confira nosso guia.

Câmbio flutuante

O câmbio flutuante é o padrão do mundo moderno e um dos pilares da política econômica brasileira. Nesse regime cambial, as cotações das moedas flutuam livremente conforme a oferta e demanda do mercado.

Mas isso não significa uma ausência total de interferência do governo, pois a maioria dos países (incluindo o Brasil) intervém em alguma medida para controlar oscilações bruscas da taxa de câmbio.

Por isso, é importante que você entenda exatamente o que é, como funciona e quais são as vantagens do câmbio flutuante no Brasil e no mundo. Continue lendo e fortaleça seu repertório econômico.

O que é câmbio flutuante

Câmbio flutuante é um regime cambial em que as operações de compra e venda de moedas se movimentam de acordo com a demanda do mercado, sem controle sistemático do governo. Ou seja: a taxa de câmbio depende, exclusivamente, da oferta e demanda do mercado. Nessas condições, a cotação das moedas varia constantemente ou para cima ou para baixo. Ela é influenciada por fatores como:

  • taxas de importação e exportação;
  • políticas monetárias;
  • taxas de juros internas e externas.

Além disso, também são decisivos para a oscilação cambial a:

  • inflação;
  • investimentos estrangeiros;
  • fluxo de turismo e migração.

Em essência, a partir do momento em que um país passa a operar em câmbio flutuante, uma moeda passa a valer o que seus compradores estão dispostos a pagar. No cenário brasileiro, por exemplo, a cotação do dólar, é definida diariamente na interação entre importadores, investidores, turistas brasileiros e seus respectivos ofertantes estrangeiros. Atualmente, a maioria das moedas do mundo é flutuante, como o dólar dos EUA, euros, ienes japoneses e libras esterlinas.

Benefícios do câmbio flutuante

Não é à toa que a maioria dos países adotou o câmbio flutuante em sua política econômica, pois há vários benefícios nesse modelo. Confira alguns dos principais:

Flexibilidade e adaptação dos preços

O câmbio flutuante é reconhecido pela vantagem de adaptar os preços da economia às condições de mercado, tanto no cenário interno quanto no externo. Dessa forma, esse câmbio flexível funciona como um amortecedor” dos impactos econômicos, e ao mesmo tempo oferece um diagnóstico preciso da situação do mercado.

Proteção contra crises externas

Uma das principais vantagens do câmbio flutuante é a proteção contra efeitos das crises externas. Isso porque, se o câmbio for fixo, a queda dos investimentos estrangeiros obriga o governo a subir os juros para defender a moeda. Com o câmbio flutuante, os juros tendem a subir menos e os impactos na economia são menores.

Segurança contra ataques especulativos

Outra ameaça comum que o câmbio flutuante pode evitar é o ataque especulativo de investidores estrangeiros. Isso acontece quando os investidores provocam, propositalmente, uma desvalorização da moeda local em relação a uma moeda de referência (normalmente, o dólar).

É a conhecida “fuga em massa” de capital estrangeiro do país, por meio da venda intensiva de divisas. No câmbio fixo, o país fica muito mais suscetível a esses ataques, já que precisa manter a paridade das moedas.

Liberdade para promover políticas monetárias

Quando um país adota o câmbio fixo, seus esforços são totalmente focados na manutenção da taxa de câmbio anunciada. Já o regime flutuante permite que as políticas monetárias sejam direcionadas para outras questões, como a estabilização de preços e ajustes fiscais.

Câmbio flutuante no Brasil

No Brasil, o sistema de câmbio flutuante foi adotado em 1999, durante a execução do Plano Real. Antes de aderir a esse regime, o país praticava o câmbio fixo, onde o valor do câmbio era fixado internamente.

Com a mudança, passamos a operar no chamado câmbio flutuante “sujo”, no qual o Banco Central realizava intervenções eventuais para conter movimentos desordenados do mercado. Isso significa que, quando há alterações bruscas no valor de uma moeda, o BC entra em ação comprando ou vendendo reservas para manter o câmbio em um nível aceitável.

Um exemplo disso é a recente alta do dólar, que atingiu sua cotação mais alta desde o plano Real (1994) em novembro de 2019: R$ 4,25. Ainda assim, o ministro da Economia, Paulo Guedes, em entrevista à Veja, afirma que não há motivos para preocupação, pois o BC dispõe de instrumentos de intervenção para controlar qualquer crise no mercado cambial, como o swap cambial, por exemplo.

No mesmo dia dessa declaração, o Banco Central realizou dois leilões do dólar para controlar a alta da moeda, devido a um gap de liquidez que afetou o câmbio.

De acordo com o presidente do BC, Roberto Campos Neto, em outra contribuição à Veja na mesma data, as intervenções da instituição devem continuar para assegurar a solidez do sistema financeiro brasileiro.

Câmbio flutuante no mundo

A maioria dos países economicamente mais desenvolvidos utiliza o regime de câmbio flutuante, incluindo os EUA, Canadá, países da União Europeia e Austrália. No entanto, é muito raro encontrar um regime flutuante “puro”, pois em todos os governos há algum nível de intervenção do Banco Central na taxa de câmbio, no chamado sistema “sujo”.

Até mesmo a China, que insistiu no modelo de câmbio fixo, está adotando aos poucos o regime flutuante, ainda que com forte controle estatal e mantendo o yuan artificialmente desvalorizado frente ao dólar.

Hoje, apenas alguns países da Ásia Central, Oriente Médio e África mantêm o câmbio fixo, mas com um dólar de até 136% mais caro, de acordo com dados publicados na Exame em 2016. Entendeu como funciona o câmbio flutuante e sua importância na economia brasileira?

Então aproveite para conhecer melhor o mercado cambial e suas possibilidades de investimentos com os conteúdos da Capital Research. E não se esqueça de compartilhar o texto para disseminar a informação.

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